quinta-feira, 17 de março de 2011

Educação para o fim de semana - ou o resto do mês...


"Educação" ("An education", 2009) é um daqueles filmes que te pegam desprevenido: pela história - emocionante sem ser piégas; pela fotografia e figurino - belíssimos e fiéis aos anos 60; pelo desenvolvimento das falas e dos sentimentos. Jenny (interpretada pela atriz Carey Mulligan) é uma adolescente de classe média cuja única ambição é se preparar para passar nos difíceis exames da Universidade de Oxford, em pleno início da década de 1960. Ela tem um bom relacionamento com sua professora de Inglês, a quem admira pelos conhecimentos literários e independência, este último incomum para a época. Jenny se encanta com a investida do playboy David (vivido pelo ator Peter Sarsgaard), uns 20 anos mais velho que ela; ele também se encanta por Jenny porque percebe uma certa maturidade na menina suburbana. De cara o espectador percebe, pela fala de David, que se trata do clássico caso "sedutor de menininhas", mas a proposta que o "sedutor" faz aos pais de Jenny é educá-la levando-a a passeios culturais, instigar nela outras experiências que não apenas aquelas previsíveis pela educação "normal", a qual é, inevitavelmente questionada no curso do filme:


O filme traduz muito do espírito de mudança social pela qual passa a sociedade inglesa do início dos anos 60, mais especificamente os adolescentes com o próprio questionamento da educação tradicional, fechada e sem diálogo a que esses jovens tinham acesso. Com resquícios de um puritanismo "vitoriano" ainda violento, a família de Jenny tem uma atitude incomum ao permitir que a filha "saia" e seja educada de uma forma nada ortodoxa por um homem que eles nunca sequer viram antes. Mas a verdade é que David seduz todos...até ser descoberta sua real intenção. E aí é que entra em cena a maturidade de Jenny, aquela que sentimos nela mas só vemos no final, quando passa pelo grande teste da vida: em que sabemos se somos gente grande ou não.


Esse filme me lembrou muito um romance inglês que li há uns 2 anos, "Na praia" ("On Chesil Beach", Companhia das Letras, 2007) do Ian McEwan:


Dois jovens recém - casados e virgens, Edward e Florence, se hospedam em um hotel na praia de Chesil, Inglaterra, para passar a lua-de-mel. A iminente primeira noite desse casal se transforma em um redemoinho de inseguranças, suposições, esperanças, erros e acertos, tudo graças à "educação" que tiveram, cada um em suas famílias e escolas (ou falta destas). O autor Ian McEwan é feliz ao retratar esse início de vida adulta na Londres de 1962, quando a sociedade passa por mudanças de costumes: anos rebeldes, a revolução sexual, novas lideranças políticas, as lutas por direitos iguais, a perda da inocência, os Beatles, o psicodélico...tudo vai influenciar a "nova educação" e a "nova geração". Mas onde Edward e Florence se encaixam? As decisões e escolhas tomadas nesse momento, nesse fim de semana em Chesil Beach, mudarão suas vidas para sempre.

Para quem quiser comprar o livro (R$38,00), é só visitar o site da Livraria Cultura:

O filme "Educação" dá para encontrar nas melhores locadoras da cidade, ou assistir pela TV a cabo.
Boas leituras!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

The tenant of Wildfell Hall

Bem, sempre no fim do ano, na época do recesso, aproveito para ler uns 5 livros que é pra compensar a falta de tempo entre novembro e dezembro que acomete, sei, a todos nós professores. Como já disse, vivo e respiro literatura, que é minha paixão, e quando estava selecionando as leituras de fim de ano, me deparei com "A moradora de Wildfell Hall" da autora inglesa Anne Brontë, comprado havia 1 mês e no final da pilha de livros na minha cabeceira. Mas como estava com uma vontade louca de "visitar" novamente a Inglaterra da era Vitoriana (o séc. XIX é meu período favorito na Literatura Universal), resolvi retirá-lo do fim da pilha e "passá-lo na frente" dos outros livros (desculpe Saramago, foi o jeito!):

Essa edição é bilíngue, da ed. Landmark e custa R$25,00 no site da editora SBS: http://www.sbs.com.br/. (por sinal, super seguro). Anne Brontë publicou o romance em 1848 sob um pseudônimo masculino meio ambíguo, Acton Bell, já supondo que, se a crítica soubesse que o autor era uma mulher, ela seria duramente rechaçada pela sociedade rígida da época, a da era Vitoriana. Explico a razão pela própria história do romance: Helen faz a terrível escolha de aceitar o pedido de casamento de Arthur, um homem aventureiro e rico (logo um bom partido) mas boêmio e cheio de vícios como a bebida, as mulheres e o jogo. Romântica, Helen pensa que reformará o caráter do marido através de seu amor e de sua religião, o que ela até consegue no 1º ano de casamento, mas depois as tentações do mundo acabam arruinando a relação dos 2 pois Arthur passa mais tempo em Londres do que na propriedade dele com a esposa, localizada no interior da Inglaterra. Por mais de 5 anos Helen sofre os maus tratos do marido, sendo inclusive traída dentro de sua casa, mas quando percebe seu filho aprendendo os mesmos maus hábitos do pai ela resolve dar um basta e fugir dali, para Wildfell Hall, uma propriedade que lhe veio como herança da morte da mãe. Helen chega nessa comunidade com o nome falso de sra. Graham, uma viúva, mas lá conhece o fazendeiro local, Gilbert, e eles se apaixonam. E agora? Como contar a verdade e resolver esse impasse?


A BBC fez uma adaptação para a Tv, uma minisérie, em 1996.

Voltando à história: qual o problema do enredo? É claro que é a fuga: como uma mulher altamente religiosa e temente a Deus, romântica, fruto da era Vitoriana, vai se rebelar contra seu marido, a quem ela deveria amar e respeitar de olhos vendados? Divórcio não se cogitava naqueles tempos...Mas não é só isso: várias passagens do livro indicam um discurso feminista, que meu Deus, deve ter sido considerado uma afronta, claro. Segue abaixo a fala da irmã de Gilbert, Rose, que ao ter que fazer chá fresco para seu irmão ( pois ele chegou atrasado e o outro chá que estava no bule havia esfriado) desabafa:

" Bem, se fosse eu agora, não teria nada de chá pronto [...] mas você - não podemos fazer o suficiente para você. É sempre assim - se há algo particularmente requintado sobre a mesa, mamãe pisca e meneia para que eu me abstenha, e se não a atendo, ela sussurra, 'Não coma muito disso, Rose; Gilbert vai querer para sua ceia'. Eu não sou nada. Na sala é 'Venha, Rose, guarde suas coisas e vamos tornar a sala agradável e limpa antes que eles cheguem; e mantenha o fogo bem aceso; Gilbert gosta do fogo bem vivo.' [...] Você sabe Rose, em todos os assuntos domésticos, temos duas grandes coisas para considerar, primeiro, o que é apropriado fazer, segundo, o que mais favorecer os cavalheiros da casa - qualquer coisa está bem para as damas." (BRONTË, p.31, 2008)

E essa fala está no capítulo VI, logo no início do romance. E eu me choquei porque como já disse antes, para 1848, colocar essas palavras na boca de uma personagem feminina é bem arriscado. A crítica aqui é explícita: ao mostrar o papel subserviente da mulher, de que devemos deixar o melhor para os homens e nos contentar com o resto, como se fôssemos animais fiéis e devotadas, Brontë declara sua insatisfação; em pleno século XIX! Ilustro a situação com a charge abaixo:



A esposa pergunta: John, onde está o resto do seu salário? Como vou pagar o aluguel e comprar comida para as crianças? E o marido responde: Cale a boca! O que faço com meu dinheiro não lhe interessa.

Portanto, ler essa obra agora no fim do ano me trouxe uma grata surpresa: não apenas visitei e me encantei novamente com a Inglaterra oitocentista, mas descobri um novo romance feminista para o meu arsenal crítico. Recomendo a leitura, claro, mas aviso: leia com tempo, pois como um bom romance do século XIX, ele é longo e demanda uma certa paciência com a linguagem, que é mais rebuscada e clássica.

P.S: Esse post é dedicado aos meus alunos e ex-alunos da disciplina Literatura Inglesa :)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

The idea of a blog


Essa ideia do blog já existia em 2010, mas eu não sabia como começar direito, fiquei um tempão tentando entender sobre o que eu queria escrever... Então assisti um filme chamado "Julie & Julia" (Julie & Julia, 2009)  que conta a história de Julie Powell, uma americana que decide criar um blog para contar às pessoas como executou as receitas do primeiro livro da Julia Child. Resumindo: em 365 dias Julie promete executar e contar em seu blog como foi fazer todas as 524 receitas do livro Mastering the Art of French Cooking da Julia Child:


Confesso que deu uma vontade de comer todas aquelas comidas :) - até porque tem várias cenas que mostram todas as etapas de realização das receitas - mas entendi finalmente que o blog deve conter assuntos que você realmente consiga escrever e emitir uma opinião; ou seja, tem que ter prazer em escrever...E esse filme me ajudou a definir os assuntos e temas que gosto, além de perder o medo de começar algo totalmente novo. Assistam e se inspirem, nem que seja pra cozinhar ( gente, eu aprendi a cortar cebola com esse filme! abafa!)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

E para 2011 eu quero...

Todo ano é igual; fazemos mil promessas e queremos abraçar o mundo com as pernas em janeiro! Eu também sou assim, mas decidi resumir meus desejos a algumas simples ações para 2011. Parecem bobas, mas pra quem é refém do tempo como eu (gente que acha que faz "trocentas" coisas ao mesmo tempo ahahaah), é um pouco mais difícil pôr em prática:


Preciso beber mais água...é sério!


Namorar mais...


Dançar mais....

Comprar menos sapatos...kkkkkk!


Trabalhar apenas na medida certa...mas acho que não tem jeito, sou workaholic...

Viajar...adoro!


Estudar, ler mais....Adoro também!


Escrever mais....principalmente no blog!

Adotar um estilo de vida mais saudável...impossível?!

Mas acima de tudo, ser feliz...não é isso que todos desejamos?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sugestão de leitura: As Crônicas de Nárnia de C.S.Lewis

Iniciando nossas sugestões de leitura,  e esta vem com a sugestão de filme também, temos As Crônicas de Nárnia do autor inglês C.S.Lewis. Taxado de literatura infanto-juvenil, com certeza é leitura para todas as idades, visto que aborda temas norteadores para nossas vidas. C.S.Lewis pensou, ao começar a escrever suas crônicas, em formar os pensamentos e valores de uma nova geração de pessoas, aquelas nascidas após a 2ª Guerra Mundial. Por ter vivido (e sobrevivido) a duas grandes guerras, sua preocupação voltou-se para com o futuro da humanidade.

Baseadas em valores puramente cristãos, as 7 crônicas narram aventuras de crianças na terra mágica de Nárnia, criada por Aslam. A 1ª crônica fala como Nárnia nasceu; a 2ª, a mais conhecida de todos, "O leão, a feiticeira e o guarda-roupa" traz os 4 irmãos Pevensie: Peter, Susan, Edmund e Lucy e como eles libertam Nárnia do longo reinado da Feiticeira Branca; a 3ª, narra as aventuras do garoto Shasta e seu cavalo que fala; a 4ª conta as aventuras do Príncipe Caspian, que pede auxílio aos 4 irmãos para libertar Nárnia de seu tio tirano; a 5ª crônica, atualmente a mais famosa, "A viagem do Peregrino da Alvorada", com Caspian, Edmund, Lucy e um personagem novo, Eustace (primo dos Pevensie), que empreendem uma jornada de reconhecimento das ilhas que fazem parte da geografia de Nárnia e verificam se existem lordes sobreviventes da tirania do tio de Caspian; a 6ª crônica, "A cadeira de prata", conta as aventuras de Eustace e sua amiga Jill; e a 7ª crônica, "A última batalha", narra como Nárnia chega ao fim...ou não!

A Walt Disney já fez 3 adaptações cinematográficas:  "O leão, a feiticeira e o guarda-roupa", "O Príncipe Caspian" e agora em 2010, "A viagem do Peregrino da Alvorada", que a meu ver, é a adaptação mais distante do texto em si. Mas não deixa de ser muito fofa e atraente para quem gosta de efeitos especiais... Veja o trailer oficial retirado do YOU TUBE:


De qualquer forma, é boa pedida de leitura para as férias sim; e se você for que nem eu, um pouco "tracinha", a leitura de tão gostosa fluirá bem rápido! Em tempos estranhos como o nosso, é sempre bom ler sobre perdão, amor, Deus e pureza...assuntos que frequentemente esquecemos.

domingo, 26 de dezembro de 2010