sexta-feira, 17 de maio de 2019

Lupita gostava de engomar - romance de Laura Esquivel

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Passar roupas lhe dava paz. Considerava sua melhor terapia e recorria diariamente a ela, inclusive depois de um longo dia de trabalho. (p.9)

Olá beletristas, tudo bom? Hoje trago para a vida de leitura de vocês o romance mexicano Lupita gostava de engomar (publicado originalmente em 2014), da autora Laura Esquivel. Vocês devem conhecê-la mais por seu best seller Como água para chocolate (1989), que fez um enorme sucesso mesmo depois de ser adaptado para o cinema em 1992:

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Esquivel é uma autora mexicana consagrada, tem outras publicações literárias e já há algum tempo se dedica à política, sendo hoje deputada pelo Partido Movimiento de Regeneración Nacional (MORENA). Mas vamos à história de Lupita e do porquê ela gostava de engomar roupas: porque esse ato funcionava como uma "válvula de escape", liberando-a do stress cotidiano de policial e também ocupava sua mente, para que ela não tivesse nenhuma recaída já que era uma alcoólatra em tratamento.

Logo no primeiro capítulo descobrimos o conflito da história: Lupita testemunha o assassinato do administrador distrital que ela tanto admira, o doutor Larreaga, a quem ela acompanhava desde quando ele fazia campanha política. No decorrer da narrativa, muitas são as pistas que Lupita deve seguir para montar o "quebra-cabeças" desta morte estranha, estranha sim porque não conseguiram identificar nem qual objeto perfurocortante atingiu a garganta do administrador de forma fulminante.

Mas Lupita não gostava apenas de engomar. Ao longo dos capítulos vamos nos inteirando do quê mais ela gosta de fazer (coisas boas e ruins) e conhecemos sua vida pregressa bem como seus traumas e o histórico de abusos que a levaram para o álcool. Lupita é uma personagem complexa, ao mesmo tempo agressiva e carente de amor e atenção, com baixa auto estima e que carrega uma culpa imensa sobre uma tragédia familiar.

O romance segue a ideia de ser uma narrativa policial, porém a carga dramática contida em Lupita salta aos olhos em todos os capítulos; além do mais, a história contém um pano de fundo de crítica social aos problemas mexicanos que simplesmente destroem qualquer tentativa de progresso no país: corrupção política em todos os níveis, narcotráfico, pobreza e problemas com as comunidades indígenas, que ainda são muito fortes e atuantes no México.

Outro ponto interessante acrescido em quase todos os capítulos são pequenas histórias sobre a cultura mexicana, que explicam sua cultura, hábitos e crenças, muito vinculadas aos povos chamados pré-hispânicos, como os astecas.  A importância da liderança dos xamãs - guias espirituais que até hoje gozam de seu espaço na vida do mexicano, convivendo tranquilamente com a religião católica - também se faz presente na história de várias formas, e esse entendimento será peça-chave para a solução do crime.

E que, assim como os deputados e senadores aproveitavam a escuridão da madrugada para aprovar às pressas reformas energéticas e fazer acordos infames, covardes e ignominiosos para entregar a empresas estrangeiras os recursos naturais do país, Lupita descobriu que existia outro México. (p.150)


domingo, 5 de maio de 2019

Coluna da Aurora Elisa - Crônicas Tóxicas (DOMINGO 05.05.2019)

Mês de abril foi bem cheio de atividades para dar conta, por isso não estivemos tão presente em palavras, mas em pensamentos...ai ai ai! Como pensamos e como observamos os fatos da vida tóxica de cada dia, né?

Quantos meios de transporte alguém pode utilizar em um único dia? Nunca se perguntou sobre essa variável? Pois eu vi isso acontecer com meu namorado, acreditem se quiser! Ele foi fazer um curso em São Paulo e por lá, já se comporta como um bom paulistano, usando metrô e trem a torto e a direito. No dia da volta para São Luís (MA) ele se recusou a pagar os R$ 70,00 de Uber para o aeroporto de Guarulhos e resolveu fazer um belo itinerário utilizando transporte público: 

* do hotel onde estava em Higienópolis, ele pegou o metrô na estação Higienópolis até chegar à estação Tatuapé (gastou R$ 4,30);
* na estação Tatuapé ele desceu e pegou o ônibus da linha 257 que leva até o aeroporto de Guarulhos (pagou R$ 6,45). 

Gente, não é o máximo como ele economizou?! Fora que ele adorou a experiência e disse que vai ensinar todo mundo a fazer isso (já ensinei por aqui, desculpaê). Pois muito bem. Voltou de avião pra São Luís e um amigo dele, o Duarte, foi buscá-lo num carro todo esculhambado: um Vectra 1998. E por aí vocês tiram o desespero do meu namorado, que achou que o pior podia acontecer. E aconteceu.

O Vectra não estava passando todas as marchas e no meio do caminho, pifou. Ele desceu do carro com mochila e malinha e, além de dar um carão no Duarte resolveu pedir um Uber pra chegar em casa. Nem sei dizer qual foi a moral da história, além de ele não ter tido como fugir do Uber, mas só consegui ver o legal dessa variedade de meios de transporte em um ÚNICO dia: metrô, ônibus, avião e carro. E com direito a táxi no final ;)