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"Cruzamento da abóbada (detalhe da célula oeste)". Afresco de Cenni di Petro Cimabue. 1280.

domingo, 2 de julho de 2017

Wicked - Gregory Maguire

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(São Paulo: Ed.Leya, 2016)

A feitiçaria [...] não rasga, ela remenda. É síntese, em vez de análise. Gera o novo em vez de revelar o antigo. Nas mãos de alguém verdadeiramente qualificado [...] é Arte." (p.182)

Olá meus leitores, tudo bom? Depois de um mês festivo como junho (pelo menos pra nós aqui do Nordeste é assim!), ufa! chegamos em julho, mês de férias! E isso significa colocar o lazer em primeiro lugar, isto é, a leitura, né? Bom, vamos à uma gostosa indicação que serve pra todas as idades, especialmente os adolescentes!

Wicked (malvada/o em inglês) narra a história da vida cheia de preconceitos e dificuldades de Elfaba, antes de se tornar a famosa Bruxa Má do Oeste da terra encantada de Oz. Desde criança a moça tem que lidar com olhares desconfiados por conta de sua aparência meio sinistra: cor da pele esverdeada e uma magreza extrema contrastando com belos olhos e cabelos negros e sedosos. Seu pai, Frex, um pastor que prega o monoteísmo, gosta de exibi-la a seus fiéis seguidores como prova da misericórdia de Deus, já que em nenhum momento Elfaba demonstra ter má índole. Sua mãe, Melena, rejeita-a constantemente. 

Crescendo no ambiente pobre, rural e pantanoso da província de Quadling, sendo negligenciada por seus pais e seus dois irmãos, Nessarose e Casco, Elfaba se volta para a leitura - seu único prazer é adquirir mais e mais conhecimento. Assim ela chega à universidade e o destino faz com que divida o mesmo quarto com a burguesa Glinda, que mais tarde se tornará a Bruxa Boa do Norte. Apesar das diferenças profundas as duas se tornam amigas: Elfaba segue acreditando que sua essência é má, sempre questionando qual sua verdadeira missão. Já Glinda segue afirmando que a feitiçaria pode ajudar a trazer o bem a Oz, salvando o país das tiranias comandadas pelo famoso mágico.

Mas muitas coisas acontecem não só a Elfaba como a seus amigos, após os anos da universidade: eles aprendem que os atos tem consequências. Cada um tem seus ideais de vida colocados à prova, para testar se suas essências são de fato más ou boas. À medida que Elfaba, Glinda, Boq, Fiyero e Nessa assumem responsabilidades e dão um direcionamento a seus destinos, suas personalidades também se delineiam. E suas identidades se formatam em figuras de bruxas e homens da elite de Oz.

A temática principal da obra gira em torno dos conceitos de bem e mal, principalmente deste último, assim como as suas respectivas personificações. Wicked demonstra de forma crua como algumas facetas do mal se apresentam na sociedade: na escravização de mentes, na imposição de ideologias tirânicas, na hipocrisia e no silêncio condescendente que apóia o governo ilegítimo do mágico de Oz.

É lógico que eu sugiro que você leia logo em seguida (ou antes mesmo) o clássico da literatura infantil e juvenil O maravilhoso mágico de Oz (1900) do norte-americano L.Frank Baum: todos os elementos que estão nesta obra reaparecem em Wicked, como a menina Dorothy, seu cachorrinho Totó e os amigos que ela faz em Oz: o homem de lata, o espantalho e o leão covarde. Ah! E vocês entenderão finalmente, assim como eu, a razão de os famosos sapatos prateados serem encantados! Garanto que a leitura será de fato maravilhosa!

"[...] Ou o mundo simplesmente se descortina aos seus olhos, repetidas vezes, assim que você está pronto para vê-lo de maneira diferente?" (p.255)



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