domingo, 1 de setembro de 2019

Coluna da Aurora Elisa - Crônicas Tóxicas

SOBRE O SILÊNCIO EXTREMAMENTE INQUIETANTE

Não é à toa que muitas pessoas que nos rodeiam vivem um mundo de coisas e fatos a olhos vistos pelas redes sociais. Vivem para um mundo exterior. Mas muitas enfrentam um inquietante silêncio e vazio. Eu observo isso. Observo em mim e nos outros. Em mim consigo curar com os livros - quem sabe lendo-os, eu enxergo melhor o mundo à minha volta. Tem ajudado, claro, mas sei que esse conhecimento e auto conhecimento é inatingível plenamente, porque é interminável.

Eu conheço os silêncios inquietantes da alma. E por isso consigo identificar esse estado terrível nos outros: um ato desesperador de pular de parapente cura sua dor? Alugar uma Mercedes-Benz por um dia te faz feliz? Uma amiga te ligar no meio da noite te pedindo pra ir dormir com ela te deixa menos solitária? Socar um saco de areia na aula de Muay Thai por 5 min sem se dar conta e nem sentir exaustão aplaca sua fúria? Olhar incansável pela janela procurando entender a vida pregressa e ao mesmo tempo olhar pra baixo, sabendo que você está a 1.000m de altura, te alivia?

Não sabemos lidar com os silêncios. E é claro, muitas vezes eles não são silenciosos mesmo, e nem vazios. São cheios de palavras, vida contida, represada e retomada tantas vezes quanto necessário. Existe muita potência num olhar silencioso, numa fala silenciosa e num pensar silencioso. O silêncio nos inunda diariamente porque não sabemos viver com propósitos mais firmes; porque não somos fiéis a nós mesmos e ao que sentimos. Mas sabemos olhar. O que não aprendemos foi a enxergar.

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