domingo, 17 de março de 2019

Coluna da Aurora Elisa - Crônicas tóxicas (DOMINGO 17.03.2019)



Oiiiiiiiii seguidores da Natércia! Sou Aurora Elisa Prado, escritora e observadora de um cotidiano cachorro, desses que atropelam a gente todo dia e nem percebemos. Pois é. Quero agradecer esse espaço que a beletrista me deu né, sou tímida por demais e não ia conseguir mostrar minha cara por aí mesmo. Nat, para os íntimos, está fazendo doutorado em SP, tá doidinha a bichinha; ela disse que eu podia usar esse espaço DE VEZ EM QUANDO. Claro, o espaço é DELA  e eu entendo esse apego dela ao blog, que já tem 9 anos. Obrigado Nat. Por sua gentileza. E por exercitar o desapego temporário.

Já que somos amigas, vou falar e sei que ela não vai censurar minha primeira crônica por aqui. Gente,  Nat é muito chata - sabe o tipo de pessoa que você olha e pensa: como é que existe pessoa linda e inteligente nesse mundo, meo deosssss? É de deixar a gente revoltada com o plano superior, porque só existem duas categorias de mulheres pra mim: as feias e inteligentes x as bonitas e burras. Já vi que vocês não vão concordar comigo. A Nat sai do padrão desse pensamento milenar e culturalmente discriminatório porque ela é linda e inteligente. E se você a conhece pessoalmente vai saber que ela ODEIA ser chamada de linda. A VIDA DELA É SER INTELIGENTE. E como ela pratica....

A verdade é que num mundo em que vivemos pelo julgamento do olhar do outro, fica um pouco complicado pensar diferente sabe, pensar fora da caixa. A verdade é que o que sempre existiu no mundo foi mulheres. Quem nos coloca nesses padrões e categorias ridículas e que levam a uma competitividade desnecessária entre mulheres são a cultura, a sociedade, um mundo dominado desde sempre pelos homens. Pensar que seu namorado tá paquerando com a menina do lado e não querer dar um tapa nela é difícil. Porque quem merece o tapa é ele. Pensar que você pode fechar o botão do vestido da colega pra ela não passar vergonha na rua é difícil, porque você quer que ela pareça mal na fita, afinal de contas, quem mandou ela morar sozinha e não ter ninguém pra fechar o vestido? Bem feito pra essa mal amada.

Outro dia fiquei estarrecida com uma história. Tomando café com uma amiga, a Teresa, ocorreu dela abrir uma foto minha no Instagram e perguntar se eu conhecia determinada menina. Nessa minha foto estava um grupo de amigos. Eu disse que sim, que a menina que estava na foto era namorada de um amigo meu, e que não, ela não era minha amiga, mas eu a achava muito legal, aparentemente:

TERESA: Eu ODEIO essa menina aí.
EU: Como assim? De onde tu conhece ela?
TERESA: Meu ex-namorado me trocou por ela alguns anos atrás. Ela ACABOU com a minha vida. Por isso odeio ela.
EU: Olha, se tem alguém que não merece teu ódio, que aliás é uma palavra muito forte, é essa menina. Tu tá odiando a pessoa errada. E outra: se ela não tá mais namorando teu ex e sim o Adelmo, sinal de que teu ex não foi bom nem pra ela. Ódio de mulher por causa de homem é perda de tempo. Vai procurar um psi.

Cortei logo na raiz. Vocês entendem agora como é difícil mudar um padrão de pensamento tão arraigado e tão machista? Eu nem consegui acreditar no que Teresa me dizia, e tenho certeza de que naquele dia ela despertou pra um outro olhar. Um olhar de auto valorização, porque ninguém merece ser odiado por outro sem saber. E ninguém merece odiar uma pessoa sem motivo. Ou por causa de um homem vacilão, que é pior ainda.

Anos pensando de forma tóxica fizeram com que Teresa acordasse para a realidade naquele dia. Porque eu não poupo minhas amigas dos meus pensamentos. Não vou poupar vocês também, a partir de hoje. Eu não poupo nem você, dona Natércia, a rainha da razão. Sua inteligentona. E linda. E chata, claro, porque ninguém é perfeito e ninguém tem sempre razão. Pronto. Disse.

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